Vindimas no Douro

Posted By: Admin System In: Fotografias On: Sexta, Setembro 18, 2015

Levanto-me antes do sol. É sempre assim nos meses de setembro e outubro. Não há tempo para os filhos e a casa fica vazia. A porta verde fica fechada à espera de outros dias em que a vida renasça lá dentro.

Conto com a ajuda da minha avó para tratar dos miúdos. Sigo caminho com a minha mãe até à quinta. Mão me esqueci da tesoura, nem do lenço na cabeça. O sol é escaldante e abrasador.
A minha mãe vem sempre vestida de preto e traz o chapéu de palha a cobrir os olhos tristes, desde que o marido se foi numa outra vindima que ficará para sempre nas nossas memórias. As palavras dela são escassas e cruas, mas os seus passos são firmes e vigorosos e não é fácil acompanhar-lhe o ritmo.
Assim que chegamos à quinta, pegamos nos cestos lavados. A minha mãe resmunga sempre por não serem de vime, mas são assim as normas e temos de nos adaptar.
Logo que iniciamos a cortar os cachos de uvas, todas as tristezas escorrem pelos socalcos, até às margens do rio Douro que nos vigia atentamente. O azul do céu acolhe-nos com firmeza e as folhas das vides abraçam-nos sem medo. O sumo das uvas que vai deslizando pelas mãos, deixando a sua marca na nossa pela, traz-nos a alegria para cantar.
Estes ramos que cortamos e esta terra que calcamos, só nós entendemos. Falamos de amor com os vinhedos. Cantamos de esperança, mesmo quando é o silêncio que quer irromper pela garganta. Cantamos com alegria até ao “lavar dos cestos”.



Quinta do Vesúvio

Quinta do Vesúvio

Quinta do Vesúvio

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo

Quinta do Panascal